terça-feira, 17 de dezembro de 2013

Bah humbug


Ele é o Natal a chegar e a minha neurose a aumentar, a estação sufoca-me de melancolia e tenho que fazer um controle extra às respostas mais ríspidas, aqueles que me rodeiam terão que me dar um desconto de cliente frequente.

Ainda não decorei a árvore, vamos lá ver se é hoje, a nossa árvore cá de casa sempre só com simbologia pagã e depois fica lá o presépio que não nos incomoda porque temos que nos respeitar uns aos outros e conviver em harmonia.

Acho que digo isto todos os anos mas chocam-me as atitudes das pessoas, não comento a crise e as pessoas parecerem zombies no centro comercial porque cada um faz a cama em que se quer deitar. O que me choca são atitudes do dia-a-dia, choca-me a caridadezinha (aliás, era para dizer que me enoja mas fiquei pelo choca-me) e daquele euro que faz de nós a melhor pessoa do mundo. Choca-me a necessidade de manter as aparências com um noblesse oblige de trazer por casa que por vezes dá-me vontade de rir, outras é mais contrário.

Apetecia-me acordar e ser dia 26, ter memórias fabricadas dos dias festivos, todas alegres claro está e seguir em frente sabendo que a turma da natalice já só ataca para o ano que vem e tenho um ano inteiro para me preparar.

Este sentimento é despegado dos acontecimentos dos últimos dias ainda que não pareça, o Natal morreu em 2006 e neste momento este Scrooge só tem o Fantasma do Natal Passado.

E sabem que mais? Bah, humbug... e fiquem com as DWV e uma canção de Natal! "Give a fuck it's Christmas!"


domingo, 15 de dezembro de 2013

Silencio

Estou exausto, física e emocionalmente exausto.

Os ritos foram o que foram, com as pessoas a mostrar o que têm de mais mesquinho, a minha cunhada prontinha de frase feita a dizer-me que a vida é demasiado curta para as pessoas estarem zangadas, eu sorri e disse-lhe que infelizmente era preciso morrer alguém para se lembrarem disso e que mesmo assim durava pouco. Vá, até me portei bem, no meio dos abracinhos e do meu"cunhadinho querido"' estive para perguntar onde é que ela esteve na minha perda que nem os pêsames me desejou porque estava demasiado ocupada a zangar-se com trivialidades, mas lá está portei-me decentemente e não lhe disse nada.

Os meus sobrinhos estão crescidos, para mim são sempre putos e constatei que o laço está quebrado, mas sem pesar, fui eu que o quebrei como dano colateral. O mais novo perguntou-me o que é que se faz a seguir e eu respondi-lhe que é um dia de cada vez, que um dia doerá menos, ou que se habitua à falta mas que a avó estará viva no coração dele quando ele estiver contente ou triste, podia jurar naquele momento tê-la visto no semblante dele mas desvaneceu-se rapidamente.

E depois de participar num rito fúnebre, participei numa festa de amor e de amizade do meu afilhado querido, parecia aqueles slides dos anos 80, quando pressionamos a alavanca, o círculo gira e já mostra outro slide.

Hoje também custou por outros motivos mas é efêmero porque depois o que me faz falta regressa. Vou fazer a minha árvore de Yule/Natal que a minha gata merece brincar ao BBC Vida Selvagem.

Vou ali ao cinema fugir para Middle Earth, porque hoje só hoje, a realidade cansa-me.


quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

Bleu Noir

A penúltima vez que nos vimos estavas relegada à cozinha, fazias um tacho enorme de arroz doce para a festa de dezoito anos dele, os teus netos eram unânimes quando diziam que o arroz doce da avó era o melhor.

Tentaste ensinar-me, não aprendi, assim mantém-se teu para sempre na memória de todos.

Quando te vi pela última vez não deixei de projectar o que vivi com ela, o corpo mais débil, a vontade de lutar que se desvanece, a tez amarelada e uma aura de fragilidade.

Não eras a minha mãe, mas eras dele e independentemente das nossas diferenças creio que a dor da perda de uma mãe, ainda que "natural", deixa uma mágoa eterna que se aprende a lidar com o tempo. Podias ter sido madrasta comigo mas nunca foste, foste sempre carinhosa, com um elogio a dizer e gostavas de mexer nos meus cabelos e achava-os sempre demasiado compridos, tinhas razão, a dada altura estiveram demasiado compridos e ontem, sem saber cortei-os.

Beijinhos A., que a Deusa te leve no seu abraço e te dê o meu amor.

segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

E agora o fim de semana

Na sexta fui jantar com um grupo de amigos, fomos à Osteria Bucatini em Lisboa que não recomendo nada. Sendo que o nosso grupo é luso-italiano geralmente batemos as capelinhas todas da comida italiana e só têm direito a bis aqueles que são bons.

O sítio é gíro, uma decoração pseudo-kitsch em que se mantém as típicas toalhas aos quadrados só que pretos em vez de vermelho.

Mas a massa da pizza é demasiado fina (segundo os que comeram pizza) e o molho de tomate que acompanhava os gnocchi e os canelloni demasiada sem-saborão, eu dei-lhe logo o kiss of death quando pedi o sal (é o mal de ver muito Top Chef) e as sobremesas eram tão blah que pedimos os cafés e fomos embora.

No Sábado arrastaram-me para Alcácer do Sal, onde a dúvida era se conseguiriam arranjar um sítio onde pudesse comer algo mais interessante que a típica omelete de queijo e ficámos no Hortelã da Ribeira, a Descoberta.

O sítio é lindíssimo e o restaurante maravilhoso, com mais do que uma opção vegetariana (sem a típica omelete de queijo) e foi de comer (e comer e comer) e chorar por mais, ficámos tão cheios que só comemos depois do cinema, fomos ver o "La Vie d'Adèle : Chapitres 1 et 2", adaptado da banda desenhada "Le bleu est une couleur chaude" de Julie Maroh. O filme é lindíssimo e fiquei cheio de vontade de ler a obra original que está na minha lista de livros para ler ainda em 2013.

O meu corpo está praticamente como novo, tenho que manter a terapêutica (sem o antibiótico) e ter algum cuidado a possíveis sintomas nos próximos dias.

O Natal está a chegar e ainda não estou deprimido, pode ser que este ano fique só inerte, sim só inerte já era bom.

Frankly Scarlett!

Quem me conhece sabe que o meu filme preferido (atenção ao cliché) é o "Gone With the Wind" com a contradição de me identificar com a Scarlet no filme e com o Rhett no livro.



Uma das minhas muitas cenas preferidas (que são quase todas) é perto do final quando Rhett obriga Scarlett a vestir-se e enfrentar a sociedade depois de ter sido vista numa situação comprometedora com Ashley Wilkes:

"Put on plenty of rouge! I want you to look your part tonight!"


E foi isso que eu fui comprar, rouge numa cor audaz e provocadora que confessamos ter colocado os nossos pincéis à prova mas é recompensandor e deu-nos aquele ar de quem acabou de ter apanhado um pouco de frio. É uma futilidade bem sei, mas estamos no Natal e eu mereço um presente.


quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

"Do what U want (with my body)"

Os últimos dias foram passados de cama, aquilo que parecia uma constipação inocente na realidade eram sequelas da minha alergia que ia agravando e os meus pobres brônquios precisaram de ajuda na segunda-feira, quando disse que queria ser visto por um médico entraram todos em pânico, tenho fobia a consultas médicas e urgências e geralmente vou quando a coisa não está nada boa.

Uma terapia mais agressiva depois, ainda não estou pronto para outra, e já estou quase funcional. Reajo sempre mal quando sou confrontado com a minha própria fragilidade, como diz o outro toma lá e embrulha.