segunda-feira, 31 de março de 2014

Memórias ou reciclagem de posts

Hoje ao ler o post do Mark lembrei-me de um post escrito em Outubro de 2010 quando os sabores tinham outra morada que decidi reproduzir aqui porque se mantém, passaram quase quatro anos desde que o escrevi e foi à laia de desafio mas mantenho tudo.

"Hoje, em plena conversa tipicamente cerejeira, perguntava “Afinal de contas, vou escrever sobre o quê?”, não porque me falte assunto nos últimos dias mas não obstante, são coisas demasiadamente íntimas que me pertencem (ou não) e como tal não têm lugar nos Sabores do Vento. Ou ficariam demasiadamente rabiscoté e pareceriam uma caricatura ainda maior do que costumam ficar por estas bandas ou então seriam bastante reconhecíveis e interessam apenas às parte envolvidas. Juicy? Sim, sem dúvida. Chocantes? Algumas. Mas há que traçar uma linha entre o que podemos ou não partilhar.

E portanto fui desafiado para falar sobre amor, sobre se valerá a pena lutar pelo amor, ao que eu respondi que achei extremamente vago porque se fizermos esta pergunta a dez pessoas vamos receber dez respostas diferentes, todas válidas, todas fascinantes e todas incompletas por muito complexas que sejam as respostas.

Mas, ao contrário de uma tendência pseudo-espiritualóide que eu podia pintar de que o amor é incondicional e manifesta-se e é a partilha vou falar daquilo que nos assola e incendia e leva-nos a bater com a cabeça nas paredes. O amor romântico ou o amor paixão é lixado (ia usar um verbo com f, mas seria acusado de plágio) e tenho com ele uma relação esquisita. Como aqui não pretendo ser minimamente original já fiz os clichés quase todos, já o usei como estandarte pelo impossível, já fui extremamente cruel quando mo foi oferecido de mão beijada, já fiz figuras tristes e já fiz figuras alegres, já foi o meu sustento e o meu alento e já foi o Sol que nasce a cada manhã e já o amaldiçoei preso numa caixa (aparentemente) impossível de abrir, mas de alguma forma nunca desisti. Acho que o pior erro que qualquer um de nós pode fazer é prender o sentimento do amor a uma única pessoa e ficando nós assim eternamente presos a um estado de incerteza e de sobrevivência em que a nossa própria identidade fica translúcida e deixamos de ser e de existir, para sempre presos no Limbo e para sempre à deriva. Usamos frases absolutas como “se não for com a ou b ou c então não é com mais ninguém” ou tentamos transformar-nos em coisas que não somos para agradar até que o peso da máscara nos sufoca e nos mata a poucos e poucos. Amamos o Romeu e Julieta, mas convenhamos que por muito sublime que pudesse ter sido, aquilo não acaba bem. Histórias trágicas de amor têm piada porque são histórias e porque aquilo despoleta em nós o mais primordial que podemos sentir, mas não conseguiríamos viver naquela chama sem sermos inevitavelmente consumidos por ela. Amor é fogo que arde sem se ver, mas arde enquanto houver lenha e nós não passamos disso.

Depois outras alturas há em que o medo de ficarmos sós se mascara de amor, o medo do tempo que passa sem qualquer piedade, o vermos os amigos criarem as suas próprias histórias e ficarmos num estado tal de ansiedade que nem pomos a questão do mais vale só que mal acompanhado porque estar só não é nada animador e temos do outro lado a piedade solidária do “vais ver que vais encontrar alguém especial” ou então “para ti tem que ser alguém único que te mereça” e então aí quase que me apetece mandar isso às urtigas (ou à merda) e dizer “Ai é? Então venha, força, estou farto de estar à espera” e quando temos algo parecido ficamos por lá. Porque tudo muda, tudo se transforma e a esperança é a última a morrer, presa numa caixa de Pandora que entretanto encheu a nossa existência de angústia e de amargura e isso não é amor, rima claro, mas é apenas dor até termos a coragem de nos libertar.

Mas nunca desisti do amor, do seu ideal mágico e sádico e da promessa que fará parte do meu trilho e que quando se voltar a apresentar à minha frente eu arrisco e se bater com os cornos contra a parede, há sempre uma noite em frente ao ecrã a ver o “E Tudo o Vento Levou” e a pensar “Ah pronto, e eu a pensar que a minha vida é fodida, a Scarlet é que sofreu as passas do Algarve!”, por vezes dou por mim a soar frio, analítico e cínico quando o comento ou ouço desabafos, mas muito pelo contrário: nunca deixarei de acreditar no Amor, porque até prova em contrário ele nunca deixou de acreditar em mim."

 

domingo, 30 de março de 2014

sábado, 29 de março de 2014

Kiki so-so oui oui no no feat. Cake

 

Hoje estava nervoso confesso, primeiro evento do género, eventuais desistências que pudessem ser maiores que as presenças, o grupo não criar química ou ser uma grande seca.

Desistências houveram duas e nestas coisas são de esperar, não sou grande fã de desistências à última da hora mas desvaloriza-se e segue-se em frente.

Os meus agradecimentos a todos os que participaram e espero por vocês no próximo numa data futura e vamos deixar passar a Páscoa e libertar o açúcar em excesso do sangue.

À minha querida Margarida, a tua torta estava maravilhosa e sentia-se o amor e a dedicação, era torta de laranja com alma e devias ficar com a receita, para mim vai ser sempre a "torta de laranja da Margarida" porque nunca comi outra igual.

O meu era um bolo de amêndoa com creme de matcha (chá verde em pó) e fiquei bastante contente com o resultado.

Agora a lista dos bolos:

A Colomba do G. sabia a Páscoa, Primavera e Itália.

O bolo de limão e ricotta da C. era um raio de sol cheio de sabor a limão.

O bolo vegan de alfarroba da A. C. surpreendeu-me pela textura maravilhosa que não esperava de um bolo com restrições de ingredientes.

O bolo com doce de leite da S., que dizer senão "You had me at dolce de leche!"

A P. trouxe o melhor bolo brigadeiro que comi e eu não gosto de bolo brigadeiro, este é a excepção.

A K. trouxe Revani com sabor a Grécia e estava de chorar por mais.

O M. quis dar-nos Bolo de Fubá e foi o meu primeiro!

A CJ deu-me a volta e transformou Bannoffee Pie em Bannoffee Cake!

A L. veio com bolo de Nutella e não é preciso dizer mais nada pois não, cremosíssimo e sem farinha!

Devia ter tirado fotos a todos e para a próxima está garantido mas isto de sermos anfitriões e tentar dividir atenções tem muito que se lhe diga. Valeu a pena ao ponto de querer organizar mais! E deixo-vos com a Donna Summer!

 

segunda-feira, 24 de março de 2014

Foi um daqueles dias

Hoje acordei com uma preguiça ainda maior do que é costume, apetecia-me ficar na ronha o dia inteiro; que se lixasse a responsabilidade e sentimento de dever e era eu, o computador e as séries todas que me apetecia ver e o meu pijama.

Apanhei uma molha até ao trabalho onde por alguma razão que transcende, a não ser a lei de Murphy, as pessoas estavam irritadiças ou intransigentes.

Quando saí do trabalho tive que passar pelo supermercado que para além de não ter metade das coisas que me faziam falta tinha uma fila descomunal porque a gestão de filas no minipreço é sempre má, estávamos dez na fila, apareceu um velhote com dois queijos frescos que me pediu para passar à frente, disse-lhe que por mim tudo bem mas que as restantes pessoas da fila tinham que concordar, e note-se que eu não era o próximo, e o senhor decidiu começar a discutir comigo que só tinha dois queijos e que o pão não era dali (who asked?) e não percebia porque é que eu não o deixava passar. Os outros clientes acederam e assim que ele passa à nossa frente, quando é a minha vez o senhor da caixa fecha a caixa porque já estava na hora dele, mudámos todos para outra fila onde do nada apareceu outra senhora a pedir para deixar passar, eu tinha três coisas e ela o saco cheio, para não levar com outro filme disse que não.

Cheguei ao prédio depois de mais um supermercado porque me faltavam coisas e onde ironicamente uma senhora me deixou passar à frente sem eu pedir.

Os vizinhos do segundo andar estão a fazer obras, é um pó que não se aguenta, barulho a toda a hora e tenho que subir quatro andares a respirar o menos possível para não morrer coma alergias, entretanto eu com dois sacos de compras, a mala, a marmita escorrei no pó das escadas e caí escada abaixo, pedi ajuda as com o barulho das máquinas esqueçam lá isso.

Quem me aturou foi o administrador do condomínio, ou o prédio passa a ser limpo mais do que uma vez por semana ou vamos ter chatices, a porcaria das portas não estão calafetadas e é uma nojeira e agora desculpem qualquer coisinha vou ali por as calças a lavar, tirar o estuque, ver a season premiere de Drop Dead Diva e ver a minha encomenda que chegou do Selfridges.

sexta-feira, 21 de março de 2014

Valha-me o Senhor dos Passos

Eu sou o homem da funerária, no trabalho visto preto com camisas brancas e gravatas escuras, os cintos pretos e os sapatos pretos o que implica uma grande rotação nos sapatos.

Estes últimos que comprei devem ter sido postos na loja por um assassino que quer começar pelos pés, nem pensos de silicone, nem creme anti-fricção, ando aqui com os pensos dos sapatos de salto alto que são os únicos que me safam... ai trabalho a quanto obrigas.

quinta-feira, 20 de março de 2014

Truly truly truly outrageous

 

Embora a She-ra seja uma das minhas heroínas de referência, a Jem também faz parte da minha infância. Na altura em que o pop rock explodia a Jem apareceu nas séries de animação, numa realidade televisiva em que os rapazes dominavam o commando da televisão, a Jem tinha que os manter intrigados para que as meninas pudessem ver, Jem é uma série escrita por encomenda pela genial Christy Marx que recebeu protótipos de bonecas da Hasbro e teve que criar uma série que pudesse servir como veículo de publicidade. Aliando a moda à música e uma tecnologia holográfica tecnologicamente impossível Jem nasceu para ser o novo modelo a seguir, inicialmente era para se chamar M mas a Habro desistiu quando os informaram que não era possível fazer copyright a uma letra.

A premissa é simples. Jerrica Benton é uma jovem que perde o seu pai e herda a casa Starlight, um lar para jovens órfãs quando aborda o gestor da empresa que assumiu o controlo da editora discográfica Starlight Jerrica vê-se literalmente entre a espada e a parede sem fundos para gerir o projecto, graças a uns brincos com micro emissores holográficos embutidos e o sistema de entretinimento holográfico Sinergy, Jerrica assume o alter-ego de Jem, uma cantora pop que com o seu grupo The Holograms consegue reaver a gestão da editora e fazer frente a Eric Raymond e ao grupo rival The Misfits.

As histórias são interessantes de um ponto de vista de argumento, Jerrica/Jem vê-se envolvida num triângulo amoroso em que ela e o seu alter ego disputam atenção de Rio que embora seja o namorado de Jerrica sente-se incrivelmente atraído pela misteriosa Jem, história da tanga verdade mas se pensares nas implicações morais que eram destinadas às crianças não deixa de ter piada, além disso Jem tinha o cariz educativo/moralista dos desenhos animados da década de oitenta e aborda temas como a ecologia, países desfavorecidos e lança uma mensagem de que qualquer um de nós pode ser aquilo que quiser, verdade que Jerrica mente a todos para manter em segredo a tecnologia que dá vida a Jem que poderia causar graves danos nas mãos erradas. Cada episódio tinha 3 canções dos dois grupos muito kitsch como manda a regra e deixo-vos com mais uma para além do genérico.



Isto tudo para dizer que estão a pensar fazer um filme live-action da Jem como fizeram com os GI JOE.

Let's go season six!

A sexta temporada de RuPaul's Drag Race já vai a todo o vapor, a minha preferida até agora é a Bianca Del Rio, é um pouco mais velha e não tem aquela necessidade de fazer um boneco de reality television como terminar todas as frases com "Okaaaaaaaaaay!" ou "Absolutely!"



Para além de ser hiper mega talentosa a costurar como se vê no vídeo, tem um sentido de humor incrivelmente mordaz e on point, educada e com o seu qb de requinte de malvadez.



Gsoto tanto dela que já dei por mim no trabalhar a dizer "Calm down, Beyoncé!" e claro que a referência não é captada.