O Anfitrião questionou aqui porque é que eu prefiro audio-livros a livros e percebi que a resposta ia ser demasiado longa para poder ser colocada num comentário.
Estamos em 2007 (já não me lembro) e passei uns dias na casa de um amigo na Pennsylvania, foi no mesmo ano que ensinaram o que era o Christmas in July, ele na altura era cabeleireiro e demorava 3 horas no trânsito no seu percurso diário. Tinha um caso extremo de road rage e começou a ouvir audio-livros para se distrair e não parecer o tempo todo furioso. Na altura fiz um pffft mental e pensei que era mais um americano que nem sequer conseguia ler um livro e tinha que o ouvir e uma série de preconceitos.
Fast forward para o ano seguinte, estava num projecto altamente stressante com pouquíssima qualidade de vida, sem tempo para os meus amigos, para sair e passava o tempo em trabalho, reuniões e de carro no trânsito. Com o cansaço perdi a vontade de ler, já não me dava gozo nenhum e não conseguia pegar num livro, um dos meus maiores prazeres perdeu-se. Tinha deixado de gostar de ler, andava sempre cansado e triste.
Na altura queria perceber o fenómeno do Twilight mas não conseguia ler o livro, parecia-me demasiado mau e adormecia sempre, decidi arranjar a versão audio-livro porque queria forçar-me a perceber o fenómeno. Usava-o no carro, era como ouvir uma amiga que não se calava com a merda do namorado.
Comecei a perceber que um dos pontos altos do meu dia era quando estava no carro e se estava trânsito melhor porque conseguia continuar a ouvir.
Moral da história... percebi o fenómeno do Twilight e detestei, MAS adorei um audiolivro, levou-me às minhas memórias das histórias repetidas que a minha avó me contava e a partir daí nunca mais parei.
A maioria dos livros no meu Good Reads foram ouvidos, não considero o "ouvir" uma arte menor, é simplesmente diferente e é assim que desfruto de obras de ficção. Não acho que seja para todos (até porque há um grande preconceito no "audiolivro") é uma experiência diferente que com um bom narrador ou narradora é absolutamente fantástico, havia noites que escrevia que ia com o James Marsters (o Spike de Buffy) para a cama, ele narra as Dresden Chronicles do Jim Butcher e agora já cheguei a ouvir livros pelo narrador.
Quem quiser experimentar pode dar uma volta à
Audible onde tenho uma assinatura mensal que me dá direito a dois livros.