A Pipoca escreveu isto e não sei o que diga...
Choca-me mais quando leio comentários que dizem que homens e mulheres não são iguais...
Parece uma trivialidade, mas não me parece.
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quarta-feira, 2 de março de 2016
quinta-feira, 20 de agosto de 2015
É para ser politicamente correcto?
Sabem o que é que apropriação cultural?
Não sabem? Não faz mal, este vídeo de culinária ensina:
E agora para queijinho, quantas bujardas é que conseguem encontrar no vídeo, vou dar só uma red chili powder não é pimentão em pó.
You're welcome.
Não sabem? Não faz mal, este vídeo de culinária ensina:
You're welcome.
CAM4Gate
Só me vem esta música à cabeça:
Now you act like you got some class?
But do you know how to back that ass up?
Now you act like you got some class?
But do you know how to back that ass up?
quinta-feira, 9 de abril de 2015
Gurrrl, take it easy!
No outro dia em que estava a abocanhar artigos e artigos de blogues e deparei-me com um rant sobre ego-bloggers, publicidade descarada e afins e que isso era tudo muito mau e cenas.
Errr, mais ou menos, se eu me considerasse minimamente interessante e gostasse da fina arte da charcutaria a promover coisas e receber cenas de borla a troco de copy-paste das palavras chave do produto, confesso que não consigo. No ano de makeup blogger para um site de moda tinha instruções específicas para não falar mal de produtos. Resultado, fiz apenas reviews a coisas que eu realmente gostava e a cena deu-se mas vá as borlazinhas não eram tão abundantes.
Se por um lado ego-bloggers são hipócritas e apenas seguem um plano de marketing e é a vida deles, por outro existirem bloggers a dizer que eles são os quintos cavaleiros do apocalipse é no mínimo risível. Gurrrl, take it easy, se fizesses do teu blog o teu métier não me parece que tivesses a mesma opinião porque o pilim tem que entrar ao final do mês.
Errr, mais ou menos, se eu me considerasse minimamente interessante e gostasse da fina arte da charcutaria a promover coisas e receber cenas de borla a troco de copy-paste das palavras chave do produto, confesso que não consigo. No ano de makeup blogger para um site de moda tinha instruções específicas para não falar mal de produtos. Resultado, fiz apenas reviews a coisas que eu realmente gostava e a cena deu-se mas vá as borlazinhas não eram tão abundantes.
Se por um lado ego-bloggers são hipócritas e apenas seguem um plano de marketing e é a vida deles, por outro existirem bloggers a dizer que eles são os quintos cavaleiros do apocalipse é no mínimo risível. Gurrrl, take it easy, se fizesses do teu blog o teu métier não me parece que tivesses a mesma opinião porque o pilim tem que entrar ao final do mês.
quinta-feira, 6 de novembro de 2014
World Nutella Day
Há coisas fantásticas em Fevereiro, o aniversário do Cristiano Ronaldo, o aniversário da Paris Hilton, o meu aniversário e, no dia 5, o dia mundial da Nutella que é para mim um dos dias de comemoração mais geniais de sempre. E se, num primeiro olhar, pensamos que é algo engendrado pela empresa Ferrero que distribui esta versão barata do maravilhoso creme gianduia enganamo-nos completamente, foi criado por uma blogger e grande fã de Nutella (já tem duas coisas em comum comigo) e espalhou-se pela blogosfera e restantes redes sociais.
Em 2013 criei um bolo megalómano de banana, mascarpone e ganache de Nutella para comemorar uma data linda (22, que curiosamente é o aniversário de várias pessoas que me são queridas) e foi a minha única experiência culinária com Nutella (porque barrá-la em panquecas ou tortilhas de trigo não conta) mas anseio muito pegar neste ingrediente sempre presente na minha dispensa (ou o canto do balcão da cozinhas porque não tenha dispensa mas isso agora não interessa nada) e criar qualquer coisa de comer e chorar por mais...
Agora... onde é que vou comprar pepitas de chocolate?
Em 2013 criei um bolo megalómano de banana, mascarpone e ganache de Nutella para comemorar uma data linda (22, que curiosamente é o aniversário de várias pessoas que me são queridas) e foi a minha única experiência culinária com Nutella (porque barrá-la em panquecas ou tortilhas de trigo não conta) mas anseio muito pegar neste ingrediente sempre presente na minha dispensa (ou o canto do balcão da cozinhas porque não tenha dispensa mas isso agora não interessa nada) e criar qualquer coisa de comer e chorar por mais...
Agora... onde é que vou comprar pepitas de chocolate?
segunda-feira, 14 de maio de 2012
Com texto mas sem contexto
Com o fim das temporadas televisivas, temos que arranjar algo para nos entreter, eu bem tentei macramê mas confesso que a minha dislexia assola-me e aquilo mais parece algo que veio dar à costa de um naufrágio do que propriamente algo onde eu possa pendurar um vaso.
Quando temos um blog onde optamos por partilhar pequenos momentos das nossas vidas, uma das vantagens é o feedback dos nossos leitores que podem ou não ser amigos mas que daquilo que vão conhecendo ou descobrindo podem sempre opinar na (bem ou mal?!?)dita caixa de comentários.
Entramos no mundo mágico da distorção em que podemos gritar LOBO! LOBO! Fulano tal foi mau para mim! E automaticamente temos as hostes a dizer "Gentinha pá, sem nada para fazer!" ou então a minha personal favorite "É tudo uma cambada de invejosas.", mas aqui o desafio é lerem três vezes o texto e pensarem bem: "Tenho aqui todos os elementos que me permitem fazer uma avaliação imparcial?", na maioria das vezes não temos, temos um descarregar de agruras e frustrações que são tecidas de forma a mostrarem o lado do pano que mais convém e sim, no mundo fantástico do online, se eu tiver dois dedos de testa eu consigo fazer com que a opinião dos outros vá de encontro ao que eu pretendo. Mas tem sumo? Não, apenas teço e volto a compor um belo ramalhete mito-maníaco onde um grupo de desconhecidos ergue as bandeiras em prol da minha cruzada, mesmo sem saber porque razão as estão a erguer, mas erguem (resta saber se por solidariedade real ou também eles um grupo de pessoas que nos passa a mão pelo pêlo num compromisso que na próxima vez que gritarem LOBO, também nós estaremos lá para eles.
Este tipo de comportamento agradeço como se aceitasse, vejo-o como um belo embrulho que demorou horas a fazer e que depois de aberto me mostra uma embalagem completamente vazia ou então água com sabores, que não é água, não é sumo, é qualquer coisa que posso beber naquele momento mas que não me satisfaz mas é melhor que nada.
Situações há em que todo aquele entrelaçar de estórias sem história poderiam ser desmistificadas num estalar de dedos, mas já que é tudo ad captandum vulgus, esperemos que o povo não se rebele quando vislumbrar o que está sob o véu. Eu já comprei uns saquinhos de pipocas.
segunda-feira, 16 de abril de 2012
Diz-me como te comentam...
Eu devo ser incrivelmente naif, sempre olhei para a blogaria (eu tinha chamado blogosfera no outro dia, não foi?) como um exercício de expressão, fosse escrita ou plástica, outros há que fazem dele um exercício de memória para colocar listas, receitas e afins, mas nunca jamais em tempo algum pensei nisto como um ground para engate.
Que alguém se conheça via comentários que mostram pontos de vista semelhantes (ou contraditórios mas provocadores) e que depois se transformam numa amizade, etc etc parecia-me mais do que normal, hoje em dia passamos o tempo agarrados a um mundo virtual cada vez mais limitados (ainda que muitos vezes seja uma auto-limitação) no nosso convívio social e por vezes acabamos por conversar mais com pessoas por trás dos ecrãs do que propriamente ao vivo e a cores, agora isto é uma series of (un)fortunate events que (seguindo a escola filosófica da tia Maria Alice em estar vivo é o contrário de estar morto) ou corre bem ou corre mal.
Assim sendo e com estes casos bem postos de parte, aparecem os engates nos blogs, todos eles uma emoção só, começa pelos nicknames com um extremo bom gosto como comiatemasagoranao, maisvaleporalgoinocuocomoosorrisoporqueassimnaominto, semisturaralgoemingleseportugueseumaemocao e outras coisas que tais que quando as vejo nos comentários de alguém até sinto os pelos da nuca a subir tipo spidey sense mas versão normal e aquilo é um chorrilho de baboseiras que nos dá vontade de chorar. E já agora, antes que alguma mente mais puritana se ponha a dizer "Ah e tal e troca o passo mas tu lês!", a estas grandes almas do pensamento contemporâneo eu relembro, está online... é público, se for realmente do foro privado, mantenham-no privado com algumas inovações tecnológicas como SMSs, emails mas não em comentários de blogues.
E aqui neste universo onde este que vos escreve (podia escrever aqui o menino, mas lá se ia um gatinho) pode perfeitamente ser uma lagartixa que sabe teclar, somos todos amigos. Elas e eles são todos lindas e lindos, amigos e amigas, enaltecem atributos físicos que nunca viram neste mar de sedução que, cá entre nós que ninguém nos lê, tem mais marés que marinheiros.
Se quando o cyber-engate começou podíamos estar a trocar tórridas mensagens com a septagenária do prédio ao lado, num blog eu acho que é ainda pior, olhem para os sabores por exemplo, daqui depreendem que eu gosto de cozinhar, gosto de bolos, gosto de estuque e gosto de ver televisão, não há muito mais para além disto, mas se eu quisesse poderia ser numa semana extremamente analítico e frio, noutra era intrépido e aventureiro, noutro um grande adepto dos desportos radicais e noutro um fanzaço de touradas.
E depois, neste marasmo de comentários são só expressões de ranger os dentes, como por exemplo "migo" (blhec), "linda" (suspeito sempre de quem nos chama lindo ou linda, o reforço parece-me forçado) e a imaginação (fértil, por sinal) que adjectiva uma série de informação binária de origem suspeita ou outras coisas dentro da mesma família que provocam diabetes ou então foram inspiração para a La Nausée de Sartre (a analogia foi tirada de um post da Singularidades de uma Ruiva que não tem muito a ver, mas que achei um mimo) e ficam-se os galhardetes.
E depois vamos aos blogs dos comentadores, post-atrás-de-post-atrás-de-post-atrás-de-post-atrás-de-post de má pornografia, que se bebessemos um shot da bebida mais fraquinha que tivéssemos em casa ficávamos bêbedos num instante, cheio de descrições supostamente tórridas que deveriam titilar a nossa líbidO
mas que não passam de um gerador de textos que mais parece um exercício da escola primária em que se preenchem os espaços em branco com partes do corpo:
Olhei para ti e estavas ______________ no(a) ____________ toda __________ a _____________ e eu peguei no(a) ____________ e _____________ que tu _____________ avidamente, e depois com um sorriso maroto pegaste no(a) _____________ para ___________ no __________ enquanto eu ______________ de ______________.
Experimentem, dá p'ró menino e p'rá menina e para quem quiser (ia escrever apanhar, mas depois ia roçar na ordinarice) provar que é super arrojado a escrever textos eróticos no conforto do lar e protegido pelo anonimato que convenhamos aqui só protege a identidade de um(a) autor(a) de maus textos.
Que alguém se conheça via comentários que mostram pontos de vista semelhantes (ou contraditórios mas provocadores) e que depois se transformam numa amizade, etc etc parecia-me mais do que normal, hoje em dia passamos o tempo agarrados a um mundo virtual cada vez mais limitados (ainda que muitos vezes seja uma auto-limitação) no nosso convívio social e por vezes acabamos por conversar mais com pessoas por trás dos ecrãs do que propriamente ao vivo e a cores, agora isto é uma series of (un)fortunate events que (seguindo a escola filosófica da tia Maria Alice em estar vivo é o contrário de estar morto) ou corre bem ou corre mal.
Assim sendo e com estes casos bem postos de parte, aparecem os engates nos blogs, todos eles uma emoção só, começa pelos nicknames com um extremo bom gosto como comiatemasagoranao, maisvaleporalgoinocuocomoosorrisoporqueassimnaominto, semisturaralgoemingleseportugueseumaemocao e outras coisas que tais que quando as vejo nos comentários de alguém até sinto os pelos da nuca a subir tipo spidey sense mas versão normal e aquilo é um chorrilho de baboseiras que nos dá vontade de chorar. E já agora, antes que alguma mente mais puritana se ponha a dizer "Ah e tal e troca o passo mas tu lês!", a estas grandes almas do pensamento contemporâneo eu relembro, está online... é público, se for realmente do foro privado, mantenham-no privado com algumas inovações tecnológicas como SMSs, emails mas não em comentários de blogues.
E aqui neste universo onde este que vos escreve (podia escrever aqui o menino, mas lá se ia um gatinho) pode perfeitamente ser uma lagartixa que sabe teclar, somos todos amigos. Elas e eles são todos lindas e lindos, amigos e amigas, enaltecem atributos físicos que nunca viram neste mar de sedução que, cá entre nós que ninguém nos lê, tem mais marés que marinheiros.
Se quando o cyber-engate começou podíamos estar a trocar tórridas mensagens com a septagenária do prédio ao lado, num blog eu acho que é ainda pior, olhem para os sabores por exemplo, daqui depreendem que eu gosto de cozinhar, gosto de bolos, gosto de estuque e gosto de ver televisão, não há muito mais para além disto, mas se eu quisesse poderia ser numa semana extremamente analítico e frio, noutra era intrépido e aventureiro, noutro um grande adepto dos desportos radicais e noutro um fanzaço de touradas.
E depois, neste marasmo de comentários são só expressões de ranger os dentes, como por exemplo "migo" (blhec), "linda" (suspeito sempre de quem nos chama lindo ou linda, o reforço parece-me forçado) e a imaginação (fértil, por sinal) que adjectiva uma série de informação binária de origem suspeita ou outras coisas dentro da mesma família que provocam diabetes ou então foram inspiração para a La Nausée de Sartre (a analogia foi tirada de um post da Singularidades de uma Ruiva que não tem muito a ver, mas que achei um mimo) e ficam-se os galhardetes.
E depois vamos aos blogs dos comentadores, post-atrás-de-post-atrás-de-post-atrás-de-post-atrás-de-post de má pornografia, que se bebessemos um shot da bebida mais fraquinha que tivéssemos em casa ficávamos bêbedos num instante, cheio de descrições supostamente tórridas que deveriam titilar a nossa líbidO
mas que não passam de um gerador de textos que mais parece um exercício da escola primária em que se preenchem os espaços em branco com partes do corpo:
Olhei para ti e estavas ______________ no(a) ____________ toda __________ a _____________ e eu peguei no(a) ____________ e _____________ que tu _____________ avidamente, e depois com um sorriso maroto pegaste no(a) _____________ para ___________ no __________ enquanto eu ______________ de ______________.
Experimentem, dá p'ró menino e p'rá menina e para quem quiser (ia escrever apanhar, mas depois ia roçar na ordinarice) provar que é super arrojado a escrever textos eróticos no conforto do lar e protegido pelo anonimato que convenhamos aqui só protege a identidade de um(a) autor(a) de maus textos.
sexta-feira, 30 de março de 2012
A Cereja mais Doce na Pipoca do meu Bolo
Hoje, em amena cavaquerie cibernética com o ácido R., ele vira-se e pergunta-me "Conheces o blog a Pipoca Mais Doce? Sabes o nome da Pipoqueira que escreve?" e a partir daí foi a emoção.
Antes de mais, o belo do disclaimer da praxe que já cá faltava, não tenho nada contra o blog ou a autora, passei por lá quando a R. (se isto fosse a Rua Sésamo, este post era patrocinado pela letra R) me disse que adorava aquilo e que comia (ia escrever mamava, mas depois achei de mau tom) às colheres com maionese, mas não me puxou. Acho que fui lá parar pós boom da popularidade e era imenso product placement, que eu não teria nada contra se fossem produtos que eu gostasse, mas vernizes e Garnier Nutrisse... naaaaah.
Mas nada contra, segui em frente, acho que um blog para me enervar profundamente tem que ser algo mais visceral, se calhar tenho que gostar imenso dele primeiro para depois o detestar. Há ali várias coisas que me fazem um pedaço de espécie, a fotinha casual com o áutefite du jour, mas eu idolatro a mais icónica das fashionistas da ficção, a minha querida Carrie Bradshaw bate-as um pedaço aos pontos, em parte porque não existe, noutra porque pobrete mas alegrete, ela come saltines com geleia de uva e lê a Vogue, tem os cartões de crédito estourados mas sapatos lindos.
E depois há as férias num sítio exótico com as belas das fotos que me causam imensa confusão, quando lia no outro dia um texto da Miss Murder, ela escrevia que as pessoas não são aquilo que escrevem nos blogues, sim claro que não somos o que escrevemos 24/7 ou se calhar não escrevemos o que somos 24/7. Querem mesmo saber que eu hoje acordei com a garganta arranhada, cheio de nhanha (o nome clínico claro está), a desesperar por uma taça de café, a engolir o anti-histamínico sem beber água, com o cabelo completamente no ar e a enfiar uma dose dupla de Bobbi Brown Corrector debaixo dos olhos e depois benzer-me com uma pincelada de Deep Throat para tirar o ar de quem morreu há três e ninguém lhe disse nada? Claro que não, isto não interessa a ninguém. E em relação a fotos da vida pessoal, epá, agradeço como se aceitasse, essa relação simbiótica de um exibicionista com voyeurs (ainda que tenho dúvidas se os voyeurs o sejam se estão a ver um exibicionista) é um bocado descompensada, prefiro ler o que passa pela cabeça do autor do que propriamente ver meia dúzia de fotos que só interessam ao dito e à mãezinha.
Curiosamente os posts dela que achei mais giros tinham apenas texto, outros fizeram-me revirar os olhos e pensar que realmente fazer uma makeover a uma gaja bem gira em que basicamente é pintar-lhe o cabelo no mesmo tom mas mais intenso, maquilhá-lha e trocar a roupa em que vá achamos que é a mesma pessoa mas mais arranjadita, onde está o desafio, é que se fosse a Susan Boyle transformada numa gaja boa (aqui uso o termo gaja boa por questões nada sexistas mas sim porque é a única expressão que lhe dá o ênfase devido), eu ainda pensava "Woa", mas nem por isso...
Podia ser pior, podia ser daqueles autores que "gomitam" páginas e páginas de peixeiradas de "sou, faço, aconteço", "eu sou mais eu", "I don't think you're ready for this jelly" (espera, este é de uma música das Destiny's Child, tenho que apagar) ou "eu se fosse mais eu, as minhas frases vinham em t-shirts" mas esses, esses merecem um post só p'ra eles, tenho que ir buscar o mote "Os meus cromos" porque me fiquei no guru do engate e o mundo merece mais e pior.
Ah, e FYI, depois disto tudo ele continua fascinadíssimo com ela e eu? Eu vou ali meter no leitor de DVDs um disco com o "Sex and the City", tenho saudades do meu eu neurótico que usa Manolo Blahniks.
Antes de mais, o belo do disclaimer da praxe que já cá faltava, não tenho nada contra o blog ou a autora, passei por lá quando a R. (se isto fosse a Rua Sésamo, este post era patrocinado pela letra R) me disse que adorava aquilo e que comia (ia escrever mamava, mas depois achei de mau tom) às colheres com maionese, mas não me puxou. Acho que fui lá parar pós boom da popularidade e era imenso product placement, que eu não teria nada contra se fossem produtos que eu gostasse, mas vernizes e Garnier Nutrisse... naaaaah.
Mas nada contra, segui em frente, acho que um blog para me enervar profundamente tem que ser algo mais visceral, se calhar tenho que gostar imenso dele primeiro para depois o detestar. Há ali várias coisas que me fazem um pedaço de espécie, a fotinha casual com o áutefite du jour, mas eu idolatro a mais icónica das fashionistas da ficção, a minha querida Carrie Bradshaw bate-as um pedaço aos pontos, em parte porque não existe, noutra porque pobrete mas alegrete, ela come saltines com geleia de uva e lê a Vogue, tem os cartões de crédito estourados mas sapatos lindos.
E depois há as férias num sítio exótico com as belas das fotos que me causam imensa confusão, quando lia no outro dia um texto da Miss Murder, ela escrevia que as pessoas não são aquilo que escrevem nos blogues, sim claro que não somos o que escrevemos 24/7 ou se calhar não escrevemos o que somos 24/7. Querem mesmo saber que eu hoje acordei com a garganta arranhada, cheio de nhanha (o nome clínico claro está), a desesperar por uma taça de café, a engolir o anti-histamínico sem beber água, com o cabelo completamente no ar e a enfiar uma dose dupla de Bobbi Brown Corrector debaixo dos olhos e depois benzer-me com uma pincelada de Deep Throat para tirar o ar de quem morreu há três e ninguém lhe disse nada? Claro que não, isto não interessa a ninguém. E em relação a fotos da vida pessoal, epá, agradeço como se aceitasse, essa relação simbiótica de um exibicionista com voyeurs (ainda que tenho dúvidas se os voyeurs o sejam se estão a ver um exibicionista) é um bocado descompensada, prefiro ler o que passa pela cabeça do autor do que propriamente ver meia dúzia de fotos que só interessam ao dito e à mãezinha.
Curiosamente os posts dela que achei mais giros tinham apenas texto, outros fizeram-me revirar os olhos e pensar que realmente fazer uma makeover a uma gaja bem gira em que basicamente é pintar-lhe o cabelo no mesmo tom mas mais intenso, maquilhá-lha e trocar a roupa em que vá achamos que é a mesma pessoa mas mais arranjadita, onde está o desafio, é que se fosse a Susan Boyle transformada numa gaja boa (aqui uso o termo gaja boa por questões nada sexistas mas sim porque é a única expressão que lhe dá o ênfase devido), eu ainda pensava "Woa", mas nem por isso...
Podia ser pior, podia ser daqueles autores que "gomitam" páginas e páginas de peixeiradas de "sou, faço, aconteço", "eu sou mais eu", "I don't think you're ready for this jelly" (espera, este é de uma música das Destiny's Child, tenho que apagar) ou "eu se fosse mais eu, as minhas frases vinham em t-shirts" mas esses, esses merecem um post só p'ra eles, tenho que ir buscar o mote "Os meus cromos" porque me fiquei no guru do engate e o mundo merece mais e pior.
Ah, e FYI, depois disto tudo ele continua fascinadíssimo com ela e eu? Eu vou ali meter no leitor de DVDs um disco com o "Sex and the City", tenho saudades do meu eu neurótico que usa Manolo Blahniks.
segunda-feira, 19 de março de 2012
A Partilha aka How Much Online is Too Much Online
.Eu adoro o conceito de publicações online, desde 2001 (altura em que entrei no mundo do Livejournal) que o facto de podermos escrever para o mundo me fascina profundamente. Na altura fazia-o praticamente em inglês e os Sabores do Vento nascem como um pedido da minha irmã para escrever na minha língua natal, eu na altura retorqui que (eu) tinha mais piada em inglês mas ela não aceitou e lanço-me nos Sabores que depois de alguma habituação afinal (gaba-te cesto) não são assim tão maus.
O Livejournal era um universo intimista onde desabafávamos as nossas agruras e alegrias num universo restrito de pessoas que tinham um acesso exclusivo aos nossos posts e, embora nem sempre isso resulte, eram poucos aqueles que conseguiam ter acesso a coisas de carácter mais pessoal onde nos sentíamos seguros a desabafar. A explosão de popularidade do FB foi minando o LJ e acabámos por migrar também para a nova rede social que se mantém como a mais comum e popular, o Facebook, por ser uma plataforma com bastantes mais utilizadores, acabei por encontrei e manter-me a par de uma série de pessoas cujo contacto era mais espaçado, mas o Facebok, também por ser uma plataforma mais popular, está cheio de pessoas que são mais conhecimentos de circunstância como colegas de trabalho que podem até ver uma foto ou um vídeo de uma música mas que não não queremos que saibam tudo o que vai cá dentro.
Ao abrir os Sabores, decidi imediatamente que muito iria transparecer da minha vida pessoal, em parte porque não é assim muito fascinante, por outro lado porque não queria que fosse um blog privado e porque também achei que não seria elegante abordar determinadas temáticas, não acho ético colocar questões ligadas a trabalho e também não sou apologista de recadinhos a terceiros, quer sejam amigos ou não porque não acho que as teclas surtam muito resultado em lavar roupa suja, prefiro ao vivo e a cores quando assim a minha disponibilidade permite ou num âmbito mais reservado como o email. Se já tive alturas em que me apeteceu gritar "ó inclemência, ó martírio"? Sim, várias todos nós temos um ou outro momento desses mas espelhá-los nos sabores teria como objectivo único e exclusivo fazer-me parecer despeitado e a choramingar por pela compreensão de anónimos online, gosto que leiam o que eu escrevo (senão tinha um diário e não um blog), gosto que se riam, gosto que salivem com coisas de tachos, mas não quero que tenham pena de mim ou que digam que sou absolutamente extraordinário, para já porque sim, é um facto mas caso não fosse, eu até podia ser um cão que sabe escrever e teclar e não este que vos escreve (ia escrever "aqui o menino", mas lá se iria um gatinho) portanto é irrelevante.
Muita confusão me faz também ler pessoas que nos contam tudo, se estão com prisão de ventre, se estão no duche, se estão a lavar a roupa, se estão a fritar um ovo ou se estão a ter sexo (que parar sexo ou esperar para começar porque se vai pôr um status no Face, é assim algo de estrambólico, é que nessas alturas o meu status online é de facto a minha maior prioridade) e eu ponho-me a pensar "Epá... a sério... eu não precisava de saber que vais evacuar, é que não está sequer no meu top 100 de coisas inúteis que me podem contar." e aqui vamos dizer o quê "Ena, hmm, eu bem te disse que aqueles iogurtes faziam efeito!" ou "E já experimentaste os toalhetes húmidos da Renova?" (Por acaso já e gosto muito) fico sempre com aquele tique de começar freneticamente a fazer scroll down já por causa das tosses.
quarta-feira, 14 de março de 2012
What Lies Beneath ou Blogs de Tachos
Por vezes, quando não tenho nada para fazer leio um blog (quase) de fio a pavio e um dos meus géneros preferidos é a tacharia, ou porque procuro inspiração ou porque o ponto de vista do(a) autor(a) me diverte. Uma das razões pelas quais eu não compro livros da Nigella traduzidos (além de das traduções serem duvidosas e quem traduz inventa ingredientes quando não os sabe) é manter a voz dela sempre presente na minha mente, ela seduz-me vezes sem conta (especialmente quando diz luscious, intense and delectable chocolate) e eu (como é suposto) adquiro os livros dela, assim ela fica (ainda mais) milionária e na minha cabeça eu tenho uma grande amiga que fala de comida como quem fala de sexo.
Não que eu precise de uma grande desculpa para falar da Nigella, mas é um exemplo de alguém que não é uma chef classicamente treinada conseguiu leitores pela personalidade, pelo tongue-in-cheek.
Há trocentos blogs de tachos, uns são mais uma colecção de receitas online (e eu nesses não vou tocar, porque são uma questão de organização e não destinados a um público), mas outros são artigos, partilhas e fotografias (ui, as fotografias) e esses... ai esses até dói.
Não consigo deixar de rir quando, numa era em que beca beca igualdade beca beca, vejo os posts começarem por "Olá amigas/queridas/meninas/ninas" (ninas então é um chuchu) não só transforma (na minha mente elas ficam logo com 12 anos) como me apetece logo ir embora. Sim, porque só as mulheres escrevem sobre cozinha, não há homens profissionais no mundo da culinária, yada yada yada.
Mas pior que isso é a completa e total falta de interesse nos textos, posts, posts e mais posts de massa com carne e carne com massa (a sério, em 10 receitas, 7 são de massa, chegando ao ponto de haver massa com massa), não que eu não coma massa alegremente todos os dias se fosse caso disso, mas num blog... ver foto atrás de foto de tagliatelle mal cozido, por favor. E já agora, se vão fazer um post em que a estrela da refeição é o camarão panado congelado do Pingo Doce (que meter a fritar já é uma tarefa de proporções épicas), façam-nos um grande favor e dêem-lhe um twist, um shot, uma lambidela, qualquer coisa para me fazer ponderar sobre a razão pela qual eu ainda estou a ler o texto (para além de curiosidade mórbida), criem uma situação, descrevam a compra, que andaram à tareia com uma cliente do supermercado, que viram uma velhinha inocente a roubar uvas como se não houvesse amanhã. Agora se o foco não são as receitas (porque estão em toda a parte), as fotos (porque convenhamos que fotografar comida não é tarefa fácil) então façam com que o texto seja a estrela, caso contrário acabam em dissertações destas.
E já agora, quando compram uma máquina nova, tipo a Bimby (até tremo), a Actifry (que segundo o N. já não é a primeira vez que entra em combustão espontânea) ou algo do género, não nos aborreçam com trocentas receitas feitas nessas máquinas. Criem um blog temático tipo "As Aventuras da Arrabécia com a Bimby" ou "Arrabécia Actifrita", ou em alternativa, porque não esmiuçar a receita e dizer "caso não tenham isto em casa, então podem optar por <inserir opção>". E para finalizar, besuntar quatro tipos de carne com vinha de alhos e espetar com eles na máquina não são quatro receitas diferentes, são quatro idas diferentes ao supermercado.
P.S. - E não chamem ao vosso blog "Os Cozinhados da Arrabécia", é tão absolutamente pedestre e desinteressante que morre um gatinho cada vez que uma saloia usa esta fórmula para nomear o blog. Pensem nos gatinhos.
P.P.S. - A desvirtuação da frase anterior com gatinhos tem a sua autoria aqui
Não que eu precise de uma grande desculpa para falar da Nigella, mas é um exemplo de alguém que não é uma chef classicamente treinada conseguiu leitores pela personalidade, pelo tongue-in-cheek.
Há trocentos blogs de tachos, uns são mais uma colecção de receitas online (e eu nesses não vou tocar, porque são uma questão de organização e não destinados a um público), mas outros são artigos, partilhas e fotografias (ui, as fotografias) e esses... ai esses até dói.
Não consigo deixar de rir quando, numa era em que beca beca igualdade beca beca, vejo os posts começarem por "Olá amigas/queridas/meninas/ninas" (ninas então é um chuchu) não só transforma (na minha mente elas ficam logo com 12 anos) como me apetece logo ir embora. Sim, porque só as mulheres escrevem sobre cozinha, não há homens profissionais no mundo da culinária, yada yada yada.
Mas pior que isso é a completa e total falta de interesse nos textos, posts, posts e mais posts de massa com carne e carne com massa (a sério, em 10 receitas, 7 são de massa, chegando ao ponto de haver massa com massa), não que eu não coma massa alegremente todos os dias se fosse caso disso, mas num blog... ver foto atrás de foto de tagliatelle mal cozido, por favor. E já agora, se vão fazer um post em que a estrela da refeição é o camarão panado congelado do Pingo Doce (que meter a fritar já é uma tarefa de proporções épicas), façam-nos um grande favor e dêem-lhe um twist, um shot, uma lambidela, qualquer coisa para me fazer ponderar sobre a razão pela qual eu ainda estou a ler o texto (para além de curiosidade mórbida), criem uma situação, descrevam a compra, que andaram à tareia com uma cliente do supermercado, que viram uma velhinha inocente a roubar uvas como se não houvesse amanhã. Agora se o foco não são as receitas (porque estão em toda a parte), as fotos (porque convenhamos que fotografar comida não é tarefa fácil) então façam com que o texto seja a estrela, caso contrário acabam em dissertações destas.
E já agora, quando compram uma máquina nova, tipo a Bimby (até tremo), a Actifry (que segundo o N. já não é a primeira vez que entra em combustão espontânea) ou algo do género, não nos aborreçam com trocentas receitas feitas nessas máquinas. Criem um blog temático tipo "As Aventuras da Arrabécia com a Bimby" ou "Arrabécia Actifrita", ou em alternativa, porque não esmiuçar a receita e dizer "caso não tenham isto em casa, então podem optar por <inserir opção>". E para finalizar, besuntar quatro tipos de carne com vinha de alhos e espetar com eles na máquina não são quatro receitas diferentes, são quatro idas diferentes ao supermercado.
P.S. - E não chamem ao vosso blog "Os Cozinhados da Arrabécia", é tão absolutamente pedestre e desinteressante que morre um gatinho cada vez que uma saloia usa esta fórmula para nomear o blog. Pensem nos gatinhos.
P.P.S. - A desvirtuação da frase anterior com gatinhos tem a sua autoria aqui
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