quarta-feira, 9 de setembro de 2015

Dos taxistas

Ontem dei por mim a pensar nos taxistas e nos protestos e faltas de civismos e toda a gente a falar deles. Vivi grande parte da minha vida em Oeiras e andava frequentemente de táxi, já me conheciam e sabiam a minha morada, tratavam-me por menino e não tenho um único episódio menos bom, aliás pelo contrário porque no dia em que a minha mãe estava a limpar não sei o quê com ácido muriático o taxista que nos veio buscar para o centro de saúde (mamãe e o seu medo das ambulância) foi veloz e certeiro, deixou-nos no local não quis que eu lhe pagasse queria era que eu entrasse com a minha mãe, nas semanas que se seguiram pedi aos taxistas que contassem a história via rádio para eu descobrir onde é que ele estava e consegui ir pagar porque nem sabia o nome dele.

Agora vivo em Lisboa, agora não é bem assim, já me chamaram paneleiro, já resmungaram porque fiz um trajecto curto num dia em que os meus pés estavam lixados com sapatos novos, já me tentaram fazer um passeio turístico porque quando entrei num táxi estava a falar inglês ao telemóvel, já se iam espetando, já reclamaram quando pedi para abrir a janela porque o cheiro "natural" era insuportável, já fizeram comentários xenófobos (taxistas estrangeiros), racistas (aqueles pretos), homofóbicos (o paneleiro do Sócrates/Passos Coelho/Paulo Portas) e futebolísticos como se eu estivesse muito interessado.

Dizia um taxista que me levou de Oeiras a Lisboa, "São fogareiros menino, são todos fogareiros." e é triste ver que num protesto eles não sejam cívicos com a própria classe que atirem tomates e coisas contra taxistas que não aderiram, que agridam condutores e clientes Uber, que alguém decidiu bater numa rapariga porque ela beijou a namorada, que alguém violou uma rapariga porque ela não tinha dinheiro, porque chamou uma mulher de pega porque andava de mini-saia à noite na rua e tantas outras coisas.

A autoridade que devia regular a actividade dos taxistas só se manifesta (e mal) em situações extremas como o estupro ou a agressão física, quando não encobre, em todos os outros casos nada acontecem e ficam impunes, não quer saber, não responde às reclamações.

O Uber também não é necessariamente a galinha dos ovos de ouro, os motoristas mais simpáticos disseram sempre que é um bom complemento mas que não conseguiriam sobreviver só com o que ganham, preocupa-me quando e se expandir mais o tipo de profissionais que estarão a conduzir, bem sei que há o rating e cenas mas profissionais maus há em todas as profissões.

Ontem foi um triste espectáculo e a meu ver a única coisa que os taxistas conseguiram foi publicidade negativa e cheira-me que é daqueles casos em que má publicidade não é boa publicidade.

8 comentários:

  1. Assisti, há minutos, a um vídeo dos protestos e fiquei sem reacção. A intolerância é gritante. Participar ou não num protesto daquela natureza, ou de outra, sublinhe-se, diz respeito a cada um, individualmente, no uso da sua liberdade. Pior, atirar-se ovos, ser-se xenófobo com um motorista espanhol. Lamentável.

    A propósito, também sempre achei um piadão continuarem a tratar-me por menino, já mais crescido. Confesso que gosto. É simpático. Ainda há quem o faça. E bem, acrescento eu.

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    1. Agora só na cafeteria do trabalho é que as senhoras me tratam por menino, mas acho fofinho confesso.

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    1. Ou no seu pior, mas ultimamente só me apetece deixar tudo o que é social media encerrado para obras, pelo menos não leio tanta barbaridade.

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  3. A minha má experiencia é só com taxistas de Lisboa. Com os daqui, Oeiras, noto que são diferentes. E claro que não incluo os das santa terrinhas por onde já andei, que esses são uma jóia.

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  4. Como e tudo na vida: há bons e maus. O problema é quando os "maus" começam a ser a maioria.

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    1. Sim, mas quando os maus te têm dentro do carro a cobrar horrores e a insultar-te é um bocadinho mais preocupante.

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