domingo, 15 de dezembro de 2013

Silencio

Estou exausto, física e emocionalmente exausto.

Os ritos foram o que foram, com as pessoas a mostrar o que têm de mais mesquinho, a minha cunhada prontinha de frase feita a dizer-me que a vida é demasiado curta para as pessoas estarem zangadas, eu sorri e disse-lhe que infelizmente era preciso morrer alguém para se lembrarem disso e que mesmo assim durava pouco. Vá, até me portei bem, no meio dos abracinhos e do meu"cunhadinho querido"' estive para perguntar onde é que ela esteve na minha perda que nem os pêsames me desejou porque estava demasiado ocupada a zangar-se com trivialidades, mas lá está portei-me decentemente e não lhe disse nada.

Os meus sobrinhos estão crescidos, para mim são sempre putos e constatei que o laço está quebrado, mas sem pesar, fui eu que o quebrei como dano colateral. O mais novo perguntou-me o que é que se faz a seguir e eu respondi-lhe que é um dia de cada vez, que um dia doerá menos, ou que se habitua à falta mas que a avó estará viva no coração dele quando ele estiver contente ou triste, podia jurar naquele momento tê-la visto no semblante dele mas desvaneceu-se rapidamente.

E depois de participar num rito fúnebre, participei numa festa de amor e de amizade do meu afilhado querido, parecia aqueles slides dos anos 80, quando pressionamos a alavanca, o círculo gira e já mostra outro slide.

Hoje também custou por outros motivos mas é efêmero porque depois o que me faz falta regressa. Vou fazer a minha árvore de Yule/Natal que a minha gata merece brincar ao BBC Vida Selvagem.

Vou ali ao cinema fugir para Middle Earth, porque hoje só hoje, a realidade cansa-me.


4 comentários:

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    1. Um abraço, hoje volto à realidade, tem que ser.

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  2. As tricas entre familiares já me põem meio louco.
    Eu sou o único irmão que me falo normalmente com todos os outros.
    E estou farto de ser o para-raios das queixas familiares...

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    1. Eu sigo caminho, cansa-me esta obsessão de terem todos algo a dizer sobre os outros mas não dizem nada sobre eles mesmos porque olhar ao espelho não convém. Não nos cruzamos a não ser que forçados, a minha família escolho-a eu, enfim. Obrigado pela visita, é sempre um prazer.

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